segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Louça para ser lavada.
Lá fora está sem sol.
menos mal, penso.
Logo,logo verei Maria.
Maria me faz bem.
Maria. 
Será que Maria fica triste de vez em quando?
Sempre tenho vontade de perguntar?
Sim, ela é humana, não só um ser-humano.
O café ficou aguado.
Eu é que estou aguada hoje.
Supermercado me deixam com sensação de apatia.
Queremos gôndolas cheias de diferentes marcas de  cereais, mas são sempre os mesmos e com os preços  sempre diferentes, sempre maiores.
Todo mundo é feliz no facebook.
E ai de você se reclamar.
Todo mundo é infeliz na vida real, mas é melhor fazer cara de abençoada, tocada pela Virgem Maria e todo os Espíritos Santos.
Eu não: eu fecho a cara, sou a rainha da minha picuinha.
Eu não, eu não nasci para andar com a cabeça levemente balançando como fazem na Índia.
Eu sinto dores e sentir dor é bom porque me exclui da selva dos leões agonizantes e sedados.
A diabética que come bolo, o gay que odeia ser gay, a mãe que é contra o bulling e chama a filha de gorda, a mãe que dá remédio para a filha e a filha se afasta, o porteiro que fica horas esperando que alguém entre para ele abrir a porta. E ela disse que todo psicólogo é louco, ela conta a vida de todo mundo e diz que é tão do bem e faz aquela vozinha de bebê que eu fico sem saber se berro ou falo como macho.
O café ficou aguado.
Eu tenho sim coisas para fazer.
Todos devem ter.
A lisura do ócio é pecado, principalmente para aqueles que não podem e ficam metendo na sua cabeça que é impossível ser feliz sem um trabalho que seja digno, mas odeiam seus chefes, odeiam onde estão, olham o relógio passar, odeiam tudo e só gostam da hora que ganham o salário e podem comprar aquela blusinha made in china vendida na loja de grife toda decorada com produtos também made in China. Notem: isso é o de menos. O importante é que o produto made in China esteja na sacolinha da loja de grife
Eu não vou a essas lojas, eu não vou.
Eu amo o ócio. Mas odeio essas pessoas que dizem amar seu trabalho.
Mulheres tão pra frentex.
Ah, mulheres, o que seria do mundo sem elas?
tanta coisa!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Aula prática

A piada de todos os anos e que juro é verdade:
-Ai, amiga, não vejo a hora dela me excluir do facebook.
Tipo, a pessoa tem qual idade mental ou não sabe como fazer isso?
Aqui vai o vídeo oh. Aqui.
Agora, te ensinar como sair do armário... putiz, aí é ter coragem e ser muito macho.
Desculpe!

Ufa,ainda bem!

Você passa por um conhecido, deseja bom dia. Ele olha de volta com um sorriso estranho. 
Você olha pra baixo e entende: sua camisa está desabotoada (porque você chegou da corrida correndo - que coisa hein chegar da corrida correndo- colou a primeira camisa para comprar pão pra marida que gosta de pão com mé.)
Adoro minha vida.
Isso não foi nem pior, nem melhor já que uma vez eu estava no banheiro do ônibus, indo para la praia com  marida e o ônibus freou tão bruscamente que eu simplesmente fui almejada para fora do banheiro com a calcinha no meio das pernas e para complementar,  tinha muitos jovens rastafáris, tipo I wanna love you and treat you right.
Enfim, eu não sei quantos minutos eu fiquei lá, mas eu fui voltando de frente e disse (sim, porque não seria eu se eu simplesmente me calasse,entende?!):
-Ainda bem que a calcinha é bonita!
De novo: adoro a minha vida!

11h30

11h30
-Amor, teu celular está tocando.
--Não, moisle, não está tocando.É o alarme que eu coloco para tocar todos os dias para sair da empresa e ir te encontrar para almoçar.

Toca o som, DJ...
My love, there ´s only you in my life. the only thing that´s right....
My first love....
Desculpem, tá?!

DESCANSE EM PAZ!

Primeira postagem de 2013, levando em consideração que levarei REALMENTE em consideração para o resto da vida ( se for  assim o desejo), os projetos que durante 34 anos eu fazia um pouco, alargava, inventava uma desculpa (considerando que arrumar as roupas e os armários ainda é um percalço de extrema dificuldade e que horas me sinto uma monja que pode viver com duas camisetinhas básicas e calça jeans ora começo a ficar deslumbrada com o poder que a corrida, a yoga e a alimentação fazem ao corpo e começo a comprar). Percebo que levar algumas coisas realmente a sério, não é tão fácil assim, mas se eu consigo, em um calor de digamos algo do tipo 30 graus praticar os asánas que a mestra Maria Avelar faz, ainda ri e fala e conta causos de Minas Gerais, acho sim que tudo é possível!
E qual foi a minha supresa ao bisbilhotar nesse bloguinho e no sistema de busca para acharem o blog, a palavras chave foi: sensação de comer a irmã.
Eu nem fico mais estarrecida e depois até tiro uma foto.
O "sel humano" não me deixa muito mais estarrecida, mas de uma forma doce.
Deixe-me explicar, caros leitores russos:
Tive o prazer de me sentir-me na Índia novamente (País este que visitei, ou melhor, fiquei um mês e pouco) no final do ano de 2011. Fui para um Ashram e lá foi todo um processo muito, muito legal e acabei também conhecendo Goa. E que what a wonderful and small world já que o marido da minha prima que é professor de yoga (e logo depois minha prima também foi e também é professora de yoga) foram para lá e conheceram um guru, um Babaji, de carne, osso e amor: o Babaji Matang.
E veja só, eles trouxeram o Babaji para o Brasil e que ato de amor, generosidade querer dividir com as pessoas esse amor.
Há muito para se falar, muito ainda para digerir tanto do que eu ouvi nos Satsangs, tanto da leitura de mão que ele leu, das histórias, do sorriso, do modo fácil que leva a vida.... o que também, diga-se de passagem estou aberta já que meu marido e a Maria, a professora de yoga que faz asánas no calor de 30 graus, ainda ri, fala e conta causos, têm muito dessa leveza, dessa espiritualidade que a gente acha que nasce, mas é aprendizado, é luta interna  para elaborar tudo dentro da gente, ruminar, mastigar, entender e compreender o mundo. By the way,  compreender a gente primeiramente porque compreender os outros é .... não é da nossa conta no sentido de que cada um tem seu momento, sua história e o tempo , veja só, Lulu, passa rápido, escorre pelas mãos...
E eu tomei de novo ( e não achem falta de respeito os tópicos misturados, mais leveza, por favor e ninguém está aqui obrigado então, por favor, retire-se. O blog é meu. Humpf!) porque se existe uma mulher chamada se entrega com tudo, esse cara sou eu.
E aí descubro as mentiras, as palhaçadas e ninguém me conta nada não. É um email que abre, uma conversa que aparece, uma pessoa que conhece a outra e por aí vai e toda aquela história de amizade linda e de irmã, some, desaparece. Por horas, fiquei pensando que devo mudar, parar de carregar o mundo nas costas (isso sim porque dói e dor não é legal e ficar tensa já basta no período pré-menstrual), deixar de ser essa Karina que ajuda, que dá ideias, que move montanhas...
Mas então, se eu perder minha essência, perderei as melhores partes de mim  (nossa, isso me fez pensar em açougue) e consentirei que outras pessoas, desclassificadas por hora, decidam como devo me comportar ou como ser ou como não ser.
Como assim, Bial?
Babaji foi até uma Igreja em Sampa... Babaji também acredita em Deus.
Babaji foi receber o Corpo de Cristo e o que o padre fez?
Recusou-se a dar o corpo de Cristo ao Babaji como se ele pudesse decidir quem ou não é filho de Deus, que roupas determinam quem pode ou não entrar em seu templo.
Triste.
As pessoas são assim e vamos usar o contexto tão em voga para todas as atrocidades do mundo: "ele é um ser-humano". E sendo ser-humano (sic) pode errar, mentir, matar, omitir, passar sinal vermelho, chamar os outros de bipolares, de estranho, de louco, de tudo porque, repito, somos seres-humanos então, aproveitem, seres-humanos para errarem sempre porque oras, vocês todos, onde me incluo então, sou um ser-humanoe posso te mandar para Marte (olha só o poder da mente. Tem muita gente que achou que eu falaria outro lugar... no espaço...).
Viva,viva.
Qual não foi a surpresa ao, sem saber muito o que dizer, sem graça, o marido da minha prima e ela, se desculparem. Sim, porque a gente também acaba se desculpando pela merda dos outros. Ninguém assume as suas responsabilidades, ninguém diz o que tá pegando já que o silêncio dizem é a melhor resposta. Bullshit! Que gente phina! Phina na casa da mãe joana isso sim!
Babaji riu, aquela risada linda, como um mantra de horas e horas, um concerto de anjos e disse:
-O problema não está comigo. Está com o ego dele.
Tipo assim: ele que lide com a Bíblia dele, com o que aprendeu com os pais, com o Mundo, com quem se relaciona, com as beatas, com a pomba-gíria  e que fique claro, mais claro que o sol (que bonitinha!)  que tudo isso foi adendo MEUUUUUU JÁ QUE BABAJI JÁ TINHA ESQUECIDO. E, imagino eu, floreando a história, saiu andando distribuindo flores imaginárias e sorrisos que aquecem.
Pois é, gente, eu posso sim equilibrar porque ser muito ou muito pouco ou de menos é terrível, mas se alguém não gosta de mim, se alguém mente, faz duas caras, fala da amiga  para mim, de mim fala para a amiga, a outra amiga fala da irmã da amiga e gente, virou uma bola de neve tipo seriado melrose place, sabe o que eu faço?
Caio fora e deixo que a vida vazia dessas pessoas fique mais vazia porque eu não serei o espetáculo, eu não serei o assunto da roda, a louca, a estranha, eu não serei a projeção do que a filha vive com a mãe, do que a mãe vive com a filha, do que a amiga vive com a outra amiga, eu não tenho contrato de exclusivade, eu quero ser de todo mundo já que já sei namorar, já sei beijar de língua.... Sejamos adultos, responsáveis! E desculpe porque eu posso ser estranha, é o tipo de egocentrismo que algumas pessoas podem ter (sorry se minha vida te afeta... se minhas viagens te afetam, se não preciso me preocupar com o final do mês, mas acredite, eu olho a grama do vizinho também, sou um ser-humano que almeja muitas, muitas coisas e que tem problemas sim e agradeço cada um deles porque foi por essa razão que não fui para as bandas das peruas acéfalas com quem eu andava quando tinha 13 anos e, por essa razão, acredite, eu estou em busca e vou achar, mas sem mais pisar em ninguém) e tudo uma questão de ver como é feio, como é feio classificar, colocar etiquetas e sim, provando do meu próprio ex-veneno, já fiz isso, ainda farei, mas estou me policiando, estou sim no caminho certo para me respeitar porque só assim se respeita aos outros.
Porque sim.
Porque sim.
Feliz 2013 todos os dias.
Faça o ano ser novo todos os dias.
Corra, pratique bons esportes, tenha bons ideais, afinal de contas o fim do mundo não é nem o fim do mundo e se for.... DESCANSE EM PAZ!


terça-feira, 13 de novembro de 2012


Lençóis limpos....

Todos vcs pagaram para ver e não viram.
Todos vcs  pagaram para ouvir e não ouviram
todos vcs pagaram para sentir e não sentiram
Todos vcs pagaram, acreditaram, inundaram, me inundaram, me riscaram de suas cadernetas de papel, me trocaram, me difamaram, me pouparam de um amor infantil, mas foram vocês que ficaram sem mim, sem a força que impulsionava, que fazia rolar, que fazia gozar bem na parte central do cérebro do pênis.
Todos vocês abusaram, remendaram, desremenderam, acreditaram, me fizeram acreditar.
Me beijaram, me tocaram, me queriam, me usaram, tinha tudo: cama, mesa, roupa lavada, almoço, jantar, café da manhã, mas nunca na mesma ordem.
Todos vocês tiveram o que eu tenho de sagrado.
cada um adentrou, tentou,tentou,tentaram.
Com os olhos, com a boca, com o que podiam de mais fálico, com a representação, com a ceninha barata e estúpida de filminho de quinta que eu fazia de conta que achava tão lindo, tão bonito e vomitava por dentro. Eu vomitava as cenas, eu vomitava a vontade de mandar todos vocês voltarem ao útero porque o meu se cansava de reter vocês dentro dele.
meu útero cansou, está em estado de observação.
Nenhum de vocês, nenhum, até hoje, conseguiu o que tanto almejava.
estar tão mais tão dentro de mim a ponto de criar algo dentro de mim.
Eu dei colo, eu respirava o ar, eu emnava o ar.
Eu esquecia de colocar a máscara em mim antes de colocar em vocês em cada estado de alerta que recebíamos  dentro do avião.
estava lá: eu, Karina, inteira.
vem, venha, meu benzinho, pegue a parte que você acha que é sua, que eu deixo você acreditar que é sua.
E depois eu troco os lençóis
Eu apago os vestígios dos meus assassinatos.
Eu deixo você viver na ilusao de ser o único, de ter sido o único quando nunca foi, nunca serão.
Perfeita nos meus crimes que eu escrevia em diários, longas explicações onde  depois eu ria, ria  e também chorava... compelida ao próximo crime. Levada. ora com um punhal ou uma palavra certeira. Uma surfista!
meu prazer era me vingar da sua ilusão: meu prazer maior era te dar e tirar tudo. meu prazer era matar aos poucos, deixar o cheiro, os cheiros .
Eu batia palama para mim (ainda que não me envergonhe).
Eu me olhava no espelho e pensava que mais um, mais um coelho abatido, mais um fdp que achava que tinha me conquistado, que tinha me surpreendido e eu estava mais vazia do que balão depois de festa de aniversário de criança já que vocês estouravam todos os balões.
pois bem: tinham tudo e queriam mais.
me absorver como  adolescentes sanguináreos.
sugar, puxar, descabelar e eu no meio do conto policial sem saber se descobririam.
descobririam que meu lance era matar,matar, matar?
não.
nunca.
e foram.
voltarão.
mas eu irei!
 

domingo, 11 de novembro de 2012

Conversinhas de SMS

Minha irmã me disse:
-Oi, tudo bem? Sonhei com você... Vc era um bebezinho de colo de quem eu cuidava, dava suquinho e frutas. Gostoso! Acho que estou preocupada contigo. Sempre que der, dê notícias. Bj
Eu disse:
-Tá tudo bem...
-Hoje o Pe tá com a camiseta de Goa que você trouxe da India. Encontramos uma professora, amiga do D., e ela disse: "Goa... Que chique!" Ui! bjs
-Ah, que tudo! Amei!
__________________
-Oi, putenha, acabei de ir a um café com pessoas mega legais, mulheres inteligentíssimas. Foi delicioso,maravilhoso.
Minha irmã me respondeu:
-Legal! O D. foi?
-Claro que não. Ele saiu com os amigos dele.
Finalmente:
-Que moderno!



Me perdoe...

me perdoe assim como eu tento me perdoar desde que nasci. já nasci da culpa assim como você. nasci da culpa de dois corpos que se uniram para me dar ao Mundo.
Fui dada ao mundo, ao Mundo.
Me perdoe, me perdoe por não saber onde colocar as mãos em certos momentos que ficam desamparadas, se mexendo.
Me perdoe, me desculpe profundamente pelo meu excesso de vida, essa vontade viver que late, que mia, que ruge, que grita dentro de mim e que me faz querer ser aviadora, chef de cozinha, mãe, esposa, terapeuta, professora, sexóloga, menina, mulherão.
Me perdoe por esse viço da pele que vem do útero que machucado está, machucado não ficará.
Me perdoe por desejar tanto, por pedir tanto das pessoas, por querer abrigar o mundo e os mundos ao redor de mim debaixo dos olhos, dos braços, entre a vagina.
Me perdoe, liebling, por ser tão casta na minha perdição.
Me perdoe por querer, querer, querer mais, sempre mais como se o desassossego fosse minha irmã, minha parente mais próxima.
Não se preocupe que não estou preocupada.
Me perdoe por não entender que você entende essa minha liberdade descomunal e que eu preciso, necessito para respirar, para dar vida, para te fazer rir, te fazer gozar dentro de mim.
Que teu gozo me nutra, que teu gozo se una ao meu, que nosso gozo cure tudo.
Cure só o necessário porque eu e você queremos o incansável, o que não tem nome, o que não se aplica, o que ninguém nunca viveu ou aceitou.
Eu quero.
Eu me quero.
Eu quero você.
(Karina Petroni Fischer

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Espero que você não se importe... e eu sei que não!

Não me importo de esperar vinte minutos com a mão na maçaneta enquanto diz que já está pronta para trocar novamente de vestido. Não me importo de esperar dez minutos sozinho no saguão do cinema cumprimentando conhecidos e tentando segurar o refrigerante e os dois baldes de pipoca enquanto vai ao banheiro. Não me importo de esperar chegar em casa para que me diga quem é o amigo que a abraçou efusivamente na festa. Não me importo de esperar três horas na salinha do hospital para saber se a nossa criança nasceu. Não me importo de esperar as longas conversas de sua mãe sobre o meu temperamento. Não me importo de esperar seu corte de cabelo, que sempre envolve pintura, hidratação e escova. Não me importo de esperar a aprovação de suas amigas. Não me importo de esperar nossos filhos regressarem das baladas para me enfurnar em seu cheiro. Não me importo de esperar que tranque as portas antes de tirar o salto. Não me importo de esperar que volte das lojas com as sacolas dentro das outras sacolas para parecer que gastou menos. Não me importo de esperar que faça as pazes com Deus. Não me importo de esperar quando arruma o armário e doa metade das roupas. Não me importo em esperar que encontre a roupa que já deu na semana passada. Não me importo de esperar que o filme acabe para namorar. Não me importo de esperar que devolva as cobertas que rouba para seu lado de noite. Não me importo de esperar você consultar suas mensagens antes de sair. Não me importo de esperar sua irritação em dias de chuva. Não me importo de esperar você nunca me retornar ligações depois das reuniões. Não me importo de esperar que se acorde no domingo, com receio de que fique nublada. Não me importo de esperar que o ciúme desapareça e volte a me ver como se eu fosse somente seu. Não me importo de esperar sua TPM. Não me importo de esperar o melhor momento para viajar. Não me importo de esperar o tempo que precisa para descobrir que me ama. Ou o tempo que precisa para descobrir que não me ama. Não me importo de esperar que venha de repente nossa música no rádio. Não me importo de esperar as revelações de fotografias de sua máquina antiga. Não me importo de esperar o embrulho de um presente. Não me importo de esperar suas discussões de fim de noite. Não me importo de esperar seu beijo de café cortado. Não me importo de esperar sua ressaca depois da dança.
O que desejo dizer é que não precisa se apressar. Nunca chegará atrasada porque sempre estarei a esperando.
 

 

- Fabrício Carpinejar

só vc...

ah, eu preciso ir porque o tempo não para e contando os dias para você chegar.... para me  beijar, me fazer rir, me irritar, me ajudar com as coisinhas do dia a dia, para irmos até a chácara, para ver tuas manias, para você ver as minhas, para ver você felizinho que é sexta-feira e dia de churrasco na no Pereira, para ver você nadando como um menino bobo que esqueceu que já é homem, pra ouvir você dizer Kaaaaaaaaa, para ver você consertar coisas que eu nem imaginava e nem imagino como você aprendeu, para eu esconder o rosto no travesseiro e não te dizer que te amo, que te adoro, que te curto, que sinto saudades, que sou uma menina má que faz birra, muita birra para você me abraçar, me acolher, me mostrar o céu e tirar todos os nós de dentro do meu coração...que bate feliz, quase pula quando te vê e se espreme quando você vai... mesmo até o banheiro!

domingo, 28 de outubro de 2012

Nós Guarani e Kaiowá, queremos sobreviver!!!!!!

"Nós Guarani e Kaiowá sobreviventes, que queremos muito sobreviver, vimos por meio desta simples mensagem prestar o nosso imenso agradecimento público para todos (as) cidadãos (as) do Brasil por ter inserido no seu nome e sobrenome Guarani e Kaiowá. Como é sabido, que Guarani e Kaiowá sozinho pode ser exterminado sim, porém, temos certeza que com a solidariedade humana verdadeira e apoio valioso de todos senhores (as) podem nos salvar das diversas violências anunciadas contra nossas vidas e sobretudo evitar a extinção étnica. Através desses gesto de amor a nossa vida, praticadas por vocês, nos trazem um pouquinhos de paz e esperança e espiritos de justiça verdadeira. Por fim, passamos a entender que que existem neste Brasil cidadãos (as) movidos pelo amor verdadeiro ao próximo e tem sede de exigir e fazer justiça. Não sabemos com qual palavra a agradecer a todos (as), apenas te falar , JAVY'A PORÃ, paz em coração de vocês, muito obrigado"

Aty Guasu
(via Mães de Maio)

sábado, 27 de outubro de 2012

Voltei!

Uma outra resolução pra 2013, se chegarmos até lá,  e pra vida toda é não continuar fazendo exatamente o contrário do que eu normalmente faria. Sei que foi por essa razão, I mean, de fazer as coisas meio de um jeito contrário do que as pessoas ditas "normais" fariam, que fez você, Di, se apaixonar, mas estou assumindo os cabelinhos brancos (mas eu os pintarei para sempre... o que me feaz lembrar do que minha irmã me disse e ela sempre faz isso... uma cretina basicamente!) e a vontade de viver bem, fazer o bem... e outras coisas que ,como sempre, eu vou escrever, guardar em um envelope, lacrar e abrir só no dia 31/12/2013.
Seria bom pra mim fazer o contrário do que eu normalmente faria. Tá?
O contrário do que eu normalmente faria. Porque quando eu faço o que eu acho que é certo, nada dá certo.
Bem George Costanza.
 
P.S: 
Minha irmã não me disse p*&¨nenhuma!
_ O que vc acha dessas luzes aqui oh? Fui a um cabeleleiro que fez o cabelo de uma conhecida e ficou lindo. Ele fará umas luzes cobres. Quer dizer, eu acho. Ele usou uma linguagem meio bíblica e eu não queria fazer papel de idiota ou confrontá-lo com os livros de Goethe que eu já li, mas seria engraçado, mas ambos seríamos arrogantes. Olha a foto  do cabelo que ele mencionou e me diz se você acha que ficará legal.
A resposta da minha irmã que esclareceu tudo:
-Daqui a pouco vc fica loira.
?????
Ótimo, ótimo, ela é que me encheu com a história que tinha reparado nas fotos que envio que meu cabelo estava muito escuro e que eu devia clarear um pouco e aí eu fui, mas "cunteci" que estou infeliz com essa cor,  com o corte... "Cunteci" que ela sempre foi e será assim: sincera. E "cunteci" que minha irmã é meio minha ídala. E ela diz "quer dizer que se eu falar pra vc pular de uma ponte, vc pula?" E eu respondo: "oras, se vc falar isso é por algum bom motivo e eu vou acreditar."
Ingênua ou cretina?!
Heinnnnn?! 
Esclareço: poucas pessoas tem esse poder sobre mim. 
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Haja recomeço... hajam sempre recomeços...


Por Karina Petroni Fischer  
  
Parte I
            Errou da primeira vez. Não contente, errou também na segunda, na terceira e sabia, por algum instinto assassino que errariam mais algumas boas vezes até que o bolo se tornasse um bolo de verdade. Não que hajam bolos de mentira, mas um bolo perfeito para uma mulher que sempre fez bolo de caixinha, não deixa de ser um bolo de verdade! Onde estava o problema do bolo? Qual era a razão para, mesmo usando pó (o pó Royal, por favor), ele parecer morto, desenganado, totalmente desfalecido?!
      Ainda não entendia o motivo, a razão pelo qual no sorteio, ela, justo ela, que sabia as últimas tendências de moda, da tendência cítrica, dos livros do ranking da Folha, ter sido A ESCOLHIDA para levar o bolo para a festinha de aniversário da chefe!
      Lógico que na hora, toda estupefata, disse:
      -Ai, gente, que bom. Descobri uma pâtisserie di-vi-na. O Júlio me levou até lá esse final de semana e tive que sujeitar a provar cada torta, cada pequeno doce que se desfazia como poema em minha boca... E nada de refrigerante para acompanhar, pelo amor. Chá, um chá divino de laranja com algo a mais. Já nem sei se era produto da minha imaginação ou eu estava em êxtase e...
      Priscila, amiga nada Poliana, a puxou de lado e disse baixinho:
      -Valentina, por favor, não comece agora a declamar. Você não entendeu a proposta do RH? Temos que mostrar que temos algo escondido, que dentro de você, de mim, há uma verdadeira chef de cuisine.
      Algo escondido?! Cada ideia que esse RH tinha para sacanear. Se for para mostrar algo, mostro onde escondo os meus relógios, o primeiro anel que ganhei, minhas bijuterias, onde escondo o chocolate de mim mesma, mas mostrar que escondo uma chef de cusine dentro de mim?! Sou tripolar, tenho múltiplas personalidades agora e não sabia? Vou a um terreiro para acharem essa pessoa e lá mesmo eu faço o bolo?!
      -Mas, pera aí, não é a festa de aniversário surpresa da Júlia? E, sinceramente, não tenho nenhuma chef de cuisine dentro de mim ou talvez foi em outra vida.
      -Valentina, um dia você aprende. Você acha que nessa agência se dá um nó sem ponto?!
      Não seria um ponto sem nó? Deixa quieto...
      -Com certeza, a Júlia teve uma reunião com o RH para unir o útil ao desagradável e assim, pensando na próxima campanha e no aniversário dela, inventou essa coisa.
      Ok, ok, mas alguém terá que fazer refrigerante, champanhe ou levar uma máquina para fazer a garapa na hora? Cada ideia, viu?! Deixou para lá os pensamentos. Olhou o papel novamente e lá estava: bolo de baunilha e buttermilk com ganache de maracujá. O que é ganache? Tipo, algo que você mistura com leite e maisena? E pensar que tudo começou com um bolo de fubá. Pelo menos era assim na época de escola, faculdade...
 Sentou a mesa e olhou os prédios ao longe. Logo virou e viu a chefe com seu alto, sua roupa engomada, sua vida Faces... Sabia um monte dela, mas enfim, contanto que ela estivesse feliz com o trabalho, com a vida dela para que se preocupar com um bolo de ganache e por que escreverem buttermilk? Que mania de estrangeirar tudo. Buttermilk não mais é do que leite com uma colher de vinagre ou suco de limão. Arre, estou farto de semideuses, onde é que há ainda bolo comum no mundo? Tanta sofisticação.
 Quanto ao bolo, caros (as) leitores (as), nem crescia e Valentina já estava ficando irritada pelo desperdício. Ah, a maldita integridade, ética, a culpa, os valores e sua mãe logicamente que disse que seria fichinha para sua filha tão perfeitinha. Mal sabia ela que estava na fase quem sou, onde estou, prefiro peixe à carne, o mundo está acabando e eu pensando em sapatos. Melhor deixar a mãe imaginando que era assim mesmo: que ela era linda, loira sem mechas havaianas, com um namorado tão educado (mas tão filhinho de papai que lhe dava nos nervos), e que fazer um bolo, oras, o que era um bolo perto do que passou para ingressar na melhor universidade de Publicidade e depois passar por testes nas melhores empresas onde desenhou, fez teatro e até fez de conta que era uma árvore? Melhor deixar que todos achassem que era magnâmica.
      Um bolo feito de tantas sutilezas, tantas camadas e cada instrução devia ser seguida. Não colocar nada antes da hora, respeitar os ingredientes. Quase como uma prece. Ainda achava que não daria conta. Pronto, não era capaz, não tinha esse talento e até quando seria a profissional perfeita, que dormia só 5 horas por noite para dar conta de ler revistas, jornais, correr, fazer escova, escolher o vestido, limpar o apartamento já que tinha uma faxineira, mas não achava que ela fazia tão bem o serviço (recomendação da vizinha. Seria meio chato dispensar assim do nada. Poderiam pensar que não tinha mais condições nem de pagar a faxineira e tinha uma imagem que deveria ser preservada), mas de um simples bolo veio toda a devastação. Não deixava de ser metafórico: o bolo não crescia e ela, apesar de ganhar bem, estava na mesma posição há anos assim como estava há anos com o mesmo cara.
      Ela não estava crescendo, estava parada, prostrada em seus pré-conceitos, suas inculcações sociais que foram acrescentadas dentro dela pelos desejos da mãe, do pai, da avó, do namorado. Sim, para eles era como um bolo sofisticado e tudo o que ela queria era ser um delicioso e simples bolo de fubá. Quente, sem frescuras, prático assim como os pensamentos que tinha no Jockey Clube: "como assim, dona Valentina?! Você está no lugar certo, com as pessoas certas e tudo o que passa pela sua cabeça é jogar tudo para o alto e dar a volta ao mundo?! Olhe bem a sua volta." Ela olhava e ouvia risadas soltas, nunca gargalhadas, pessoas se olhando de cima para baixo ou olhando ao redor, procurando pelos fotógrafos. Sentia um vazio no estômago que resolvia com um canapé. O vazio da alma ela afugentava.
Será que acreditamos naquilo que vemos, ou apenas vemos aquilo no que acreditamos? Desligou o forno, prendeu o cabelo, trocou de roupa e olhou-se longamente no espelho sem saber exatamente como já que era a primeira vez que, conscientemente, não procurava relacionar a melhor sombra com a roupa. Era ela e o rosto: sem batom, sem cílios postiços, sem roupas de grife, sem expectativas.
      Finalmente, abriu o forno, tirou o bolo e lá se viu: murcha e cheia de espaços.
      Adendo da voz que sempre nos acompanha:
      Caros leitores (as), sendo uma obra de ficção, eu poderia terminar por aqui, mas Valentina não era mais uma menina de 20 e poucos anos sem responsabilidades. Tinha um apartamento para quitar na zona sul da cidade, condomínio, contas, um nível de vida e logo veio o lance da imagem! Enfim, perder um emprego porque finalmente se viu por dentro através de um bolo, seria como perder o que tinha lutado e recomeçar. E qual era a diferença entre começar e recomeçar? Qual lhe traria menos dor? Qual lhe traria mais prazer, vida?
      Valentina se remoía por dentro, quase constipada de tanto provar massa de bolo. Pera aí, pera aí: como uma publicitária estaria sem ideias? Tinham, todos esses anos, esvaziado qualquer indício de curiosidade, de sagacidade?
       
Parte II
Quando foi a última vez que fez algo pela primeira vez?
      Pronto, ela gritou e começou a dançar uma dancinha dela: a mesma que fazia quando o carro, ao invés de disparar o alarme, tocava a musiquinha e ela fazia todos dançarem, participando assim das pequenas mágicas que a vida oferecia .
      Procurou a filmadora esquecida dentro do armário. Ligou para Priscila que atendeu ao telefone chorando: a tarefa dela era preparar Bicho do Pé. Nada dava a liga certa. Chorava compulsivamente e tinha colocado na cabeça que não era mais um plano de campanha, nem de aniversário, mas de demissão. Na verdade, ela falou alguns palavrões enquanto soluçava.
      -Pri, nos conhecemos há seis anos, não é?! Foi lá na agência, não foi, hein, hein? E qual foi a frase, do Jean Cocteau, que pediram para gente desenvolver uma propaganda?
      -Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.
      -Justamente, venha para cá agora.
      Em menos de meia hora, Priscila estava lá. E estava por trás das câmeras. A questão não era mais o emprego, o aniversário da vil Júlia, mas sim aquela coisa que a gente deixa adormecer, mas está lá. Simplesmente ligou uma coisa a outra. Lembrou-se da conversa que teve com a psicanalista, Evelise, algumas semanas atrás quando disse que não sabia mais se ela existia  (metaforicamente) e esta, incrédula e com um sorriso nos lábios, disse: -"ao menos, que eu precise de óculos, você está bem a minha frente."
      Ela, cheia de si, sabendo que um bolo, nem tão simples assim, tinha aberto não só uma porta, mas várias, olhou bem para a câmera e disse:
-Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
      Virou um mantra, virou sucesso na web. As duas arrebentaram o número de visitas no perfil que criaram no youtube. Arrebentaram também com a agência já que ganharam a campanha. Até processadas foram, mas se entre vários conselhos que a vó lhe dava, dois ela nunca deixou de botar em prática: guardar dinheiro todo mês e não economizar com advogado ( não assinava nem o nome em folha de rascunho sem antes perguntar ao Dr. Guavel). Ganharam a causa: ganharam até um programa de TV.
      Sentada em seu escritório no bairro nobre da cidade, na sua cadeira Bernardo Figueiredo abriu os e-mails e lá estava a pauta do próximo programa:
      "-Valentina, descobrimos uma escola em Sampa, Ciclo Femini, que diz que ensina pessoa a andar de bike e superar medos e tal. Basta você querer aprender. Mas é trilha, é radical. Na verdade, você participará de uma maratona de mountain bike e terá uma semana e meia para se preparar."
      Já não bastava ter escalado o Everest há dois meses? Como descobriram que morria de medo de bicicleta? E veio então, aquela vozinha que nunca mais ela tinha permitido sabotá-la e disse: -"ah vá, perto de um bolo de ganache, o que é uma bicicleta?!".
      Nada, nada mesmo.  

P.S: Não achem que não fizeram os Bichos de pé. Fizeram, comeram. Priscila finalmente confessou que precisava de terapia, mas Evelise, a psicanalista de Valentina, indicou uma amiga, a Cecília. Sabe como é: para não haver conflitos. Priscila finalmente largou da tarja preta: agora era só homeopatia. Recomendações da Dra. Elisabeth.